Cases - Guia para compra de tanques em PRFV

Veja como se orientar no momento da consulta e/ou compra de um equipamento em PRFV.

Guia para compra de tanques em PRFV

Guia para compra de tanques em PRFV

A indústria brasileira de compósitos em plástico reforçado com fibras de vidro (PRFV) é caracterizada por um grande número de fabricantes com talento e capacidade bastante diferentes. Essa variação é motivo de divergências entre a expectativa na hora da aquisição, por exemplo, de tanques e os resultados obtidos depois que o equipamento foi instalado. 


Em primeiro lugar, é muito importante que o comprador conheça o fabricante selecionado e, principalmente, se informe sobre a sua experiência e capacidade para fabricar o equipamento. Isso porque, diferente da construção em aço, o fabricante de PRFV molda o seu próprio material. Ele não adquire matérias-primas acabadas para conformar o produto final, como acontece numa caldeiraria metálica. O processo de cura do PRFV, que determina a qualidade e as propriedades mecânicas do laminado, depende de diversos pontos que devem ser observados individualmente. 


Felizmente, há boas especificações técnicas que cobrem a construção de tanques cilíndricos verticais – o mais comum usado hoje em dia – e a Tecniplas as segue rigorosamente. Os elementos para construção de tanques desse tipo são descritos por duas normas: a ASME RTP-1 (Reinforced Thermoset Plastic Corrosion Resistant Equipment) e BS 4994 (Design and Construction of Vessels and Tanks in Reinforced Plastic). Ambas descrevem os elementos essenciais e os parâmetros mínimos de projeto .


Tais normas foram escritas para cobrir o projeto e a construção de tanques que operam sob um conjunto de condições especificas. Se tais condições excederem as pré-determinadas, outro tipo de cálculo especial pode ser necessário.  E, em alguns casos, procedimentos especiais de construção podem ser exigidos. Como no caso de regiões com alto índice de vento, onde deve ser informada a velocidade da isopleta de ventos com base na norma ABNT NBR 6123 (Forças Devido ao Vento em Edificações), para que sejam incluídos os reforços estruturais necessários. 


Os tanques de compósitos em PRFV são construídos pelo método de Enrolamento Filamentar (Filament Winding) ou manual (Hand Lay-Up) – a escolha pode ser feita pelo comprador ou ficar a critério do fabricante.
A diferença entre os dois está ligada ao método de moldagem da parte estrutural do corpo cilíndrico. Cada tecnologia adota diferentes tipos de materiais de reforço e, em decorrência, produz tanques com propriedades físicas particulares (espessura, densidade). Quando apropriadamente projetado, um equipamento de PRFV pode ser produzido por qualquer um dos dois métodos e ter um período de vida útil equivalente. 


No intuito de acelerar o processo de compra e eliminar confusões e desentendimentos entre comprador e vendedor, deve ser feita uma descrição plena da aquisição, incluindo:

1.
 Completa descrição do ambiente químico (concentração e peso específico de todos os produtos químicos contidos) e a temperatura de armazenagem; 
2. Requerimento de carregamentos especiais, como pressão, vácuo, cargas de escadas, corrimãos e plataformas, ou agitação (peso, RPM, torque, número de pás); 
3. Cargas de vento e/ou sísmicas.  

Esses itens são absolutamente necessários para um projeto apropriado. O conhecimento dos detalhes possibilita a classificação do tanque quanto às normas de segurança industrial (Norma Brasileira NR13). De posse de um panorama claro da aplicação do tanque, é possível determinar se o reservatório adequa-se ao escopo das normas de construção (RTP1 ou BS4994) ou é necessário um projeto especial.  O comprador deve exigir do fabricante a total responsabilidade pelo projeto do tanque, de acordo com a especificação e condições de trabalho descritas. Algumas sugestões:

·         Solicitar aos fabricantes que forneçam uma memória de cálculo, inclusive os fatores de segurança utilizados
·         Junto com a oferta, devem fornecer a sequência de laminação adotada, com a descrição do material de reforço (tipo, gramatura e ângulo, no caso de filamento contínuo) e espessura usados no projeto, bem como o tipo de resina aplicada no liner, barreira química e estrutura. Trata-se de um item muito importante para poder comparar os projetos ofertados;
·         Solicitar ao fornecedor um PIT (Plano de Inspeção e Teste) e os procedimentos em uso na planta na qual são fabricados os equipamentos;
·         Solicitar ao ganhador o data book com os relatórios de inspeção final, incluindo, no mínimo, os resultados de teste hidráulico, acetona, dureza Barcol, certificados de materiais de reforço e resinas aplicadas;
·         Solicitar ao ganhador o fornecimento de instruções detalhadas de instalação;
·         Solicitar ao ganhador o fornecimento de desenhos para aprovação. Nesses desenhos, devem constar as sequências de laminação e as espessuras que compõem as paredes do equipamento. Com a sequência de laminação, é possível verificar a integridade estrutural do equipamento usando as normas propostas acima; ·         Solicitar ao ganhador que guarde as “bolachas” extraídas dos pontos de aplicação de flanges ou outras conexões devidamente identificadas, para conferência da sequência de laminação ou identificação de resina. Cada tipo de resina tem um “DNA”, o que permite identificar o seu tipo;
·         Solicitar ao ganhador livre acesso do inspetor autorizado.


 


Ao exigir essas informações no pedido de oferta, o potencial comprador passa a ter condições de fazer uma análise mais abrangente.
Tem, dessa forma, algumas vantagens imediatas na avaliação das propostas.

José Roberto Vasconcellos é gerente comercial da Tecniplas